O CHI KUNG E OS MENINOS DE CABELO BRANCO

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Resumo: 
Como trabalho final do Curso de Instrutores de Chi Kung Terapêutico, da Escola de Medicina Tradicional Chinesa, foi desenvolvido um projeto de prática de Chi Kung Terapêutico na Universidade Sénior da Moita. A prática foi desenvolvida com o objetivo de melhorar a circulação sanguínea, cultivar o Jing, trabalhar o enraizamento e a coordenação motora, promover o relaxamento, a harmonia e o bem-estar em geral. Os resultados obtidos foram muito positivos, tendo-se verificado uma melhoria em todos os aspectos, concluindo-se que o Chi Kung é uma prática muito benéfica para os seniores, tanto para a saúde física como mental. 

 Na Moita, uma simpática vila ribeirinha ribatejana historicamente ligada à Festa Brava e com excelente gastronomia, situa-se a Universidade Sénior ‘UniSeM’ cujo trabalho em prol da população mais idosa do concelho é merecedora de grandes elogios. A inclusão da prática de Chi Kung Terapêutico no currículo do curso é reveladora da grande abertura de espírito dos seus dirigentes. 
 Foi nesta instituição que no ano lectivo de 2015/16 se realizou este projecto de estágio para o 3º Ano do Curso de Instrutores de Chi Kung Terapêutico da Escola de Medicina Tradicional Chinesa (ESMTC). O estágio realizou-se entre 3 de Novembro de 2015 e 14 de Junho de 2016 com um total de 26 aulas semanais, realizadas às terças-feiras das 10h às 11h da manhã. Dos 36 alunos inicialmente inscritos, passou-se ao fim de três aulas para 26, devido a algumas desistências e a outros que não chegaram a comparecer. As práticas foram realizadas no pavilhão desportivo da Moita, uma sala muito ampla, com grande luminosidade e bem arejada, sendo que em termos de concentração energética não era muito favorável e no inverno tornava-se pouco acolhedora. 
 Os alunos tinham entre 55 e 82 anos de idade, com uma grande predominância de Yin, uma vez que dos 26 alunos apenas 2 eram do sexo masculino. Para se perceber quais as maiores dificuldades e os pontos que precisavam ser mais trabalhados recorreu-se a questionários iniciais de avaliação e ao método de observação direta durante as primeiras aulas. Os objectivos gerais definidos consistiram em trabalhar o centro, o enraizamento e o relaxamento para que no final de cada aula o aluno beneficiasse de uma sensação de harmonia e bem-estar geral. 

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Os objectivos específicos resultaram da conjugação das dificuldades dos alunos com o trabalho energético base da prática de Chi Kung para seniores, incluindo melhorar a circulação sanguínea, cultivar o Jing, trabalhar o enraizamento e melhorar a coordenação motora. 
 O método utilizado consistiu em proceder a um aquecimento prolongado de músculos, tendões e articulações, que activasse também a circulação sanguínea, trabalhar a postura corporal, postura inicial de Wu Ji, várias Posturas de Árvore (para trabalhar o enraizamento e cultivar o Jing), exercícios dos 18 Movimentos do Taichi Chikung (para trabalhar a coordenação motora, melhorar a circulação sanguínea e o enraizamento), exercícios da forma Wudang Yang Shen (para cultivar o Jing e o enraizamento) e outros exercícios específicos para o enraizamento e coordenação motora. Proporcionou-se também períodos de relaxamento, com pequenas meditações com consciência da respiração e massagens a pares. Além dos benefícios intrínsecos, as massagens a pares foram importantes para a socialização e muito benéficas para o desenvolvimento do espírito de grupo. É importante referir que nunca foram utilizadas cadeiras nem bancos durante a prática, para se realizarem os exercícios sentados, uma vez que todos os alunos estavam confiantes e empenhados em dar o seu melhor. O trabalho foi progredindo, respeitando o ritmo de aprendizagem dos praticantes, verificando-se ser essencial dar tempo ao tempo e não apressar os exercícios. Constatou-se ser preferível fazer menos e bem, praticar exercícios mais simples, trabalhar a respiração e exercitar a visualização. Verificou-se também ser importante utilizar um vocabulário simples e adequado e insistir na repetição dos exercícios. Um factor importante para o sucesso das aulas foi a assiduidade dos alunos, a motivação, a boa disposição, a capacidade de escuta e respeito, havendo um grande espírito de grupo e, acima de tudo, a vontade de aprender. 

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 Os resultados obtidos foram muito positivos. De acordo com as respostas aos questionários finais, todos os factores trabalhados nos objectivos gerais e específicos melhoraram o que nos levou a concluir que o Chi Kung é realmente uma prática muito benéfica para os seniores, tanto para a saúde física como para a saúde mental, trabalha e reforça aspectos como o cultivo do Jing, essenciais no sénior, para além de ser uma prática agradável com movimentos harmoniosos e elegantes. 

 Alguns testemunhos: 

 • - “Gostei de frequentar as aulas de Chi Kung, notei diferença no equilíbrio e capacidade de memória.” 

• - “ Desde que comecei esta aula de Chi Kung sinto-me tranquilizada de mente e corpo.”  

• - “Tranquilizou-me muito e reforçou-me a auto-estima.”  

• - “Sinto-me mais calma e com mais energia.” 

 • - “Gosto muito de fazer esta ginástica, sinto-me bem. Venho com outra disposição para casa. Nunca faltei a uma aula e estou muito satisfeito e quero continuar.”  

• - “Sinto-me melhor mentalmente e mais feliz comigo mesma, para mim é uma aula muito útil e quero repeti-la no próximo ano. Agradeço ao professor pela sua dedicação e esforço.” 


 * Artigo escrito por David Pignatelli Pombo, editado e revisto por Margarida Aires, traduzido por Paula Madeira e Joana Freches Duque, publicado e paginado por Joana Freches Duque.




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