Chi Kung na Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental Significativa



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Este projeto experimental pretendeu ser uma abordagem introdutória da prática de Chi Kung, com um pequeno grupo de pessoas com “Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental (DID) Significativa”, que tivessem disponibilidade de horário e mostrassem interesse em participar, observando o seu impacto junto dos mesmos.




Com esta atividade propusemo-nos despertar o grupo para o seu corpo físico e energético tendo como tema: “O despertar da consciência corporal e energética”. 
 O Chi Kung terapêutico é uma arte milenar oriental e integra um dos cinco ramos da Medicina Tradicional Chinesa. Carateriza-se pela realização de exercícios ou conjuntos de exercícios suaves e harmoniosos que integram movimento, respiração e concentração com a finalidade de promover a saúde e o bem-estar físico, fisiológico, mental e emocional. 
 A atividade a realizar com os participantes consistiu, inicialmente, na motivação e estabilização do grupo, bem como na avaliação inicial do desempenho, das suas características, necessidades e potencialidades, com base na observação direta e diagnóstica, através da recolha de informação individual e de atividades de pintura, desenho e exercícios simples de Chi Kung. 
 Seguiram-se sessões semanais regulares, com exercícios de aquecimento, automassagem e aprendizagem de alguns movimentos suaves de Chi Kung que envolveram relaxamento, mobilidade articular, postura corporal, equilíbrio, coordenação motora, sentidos e sensações, respiração e atenção concentrada. 
 Sem expectativas à partida de resultados a atingir, pretendeu-se avaliar o impacto desta nova modalidade, junto desta população diferenciada. 
  Este trabalho foi experimental, pioneiro e teve por base a Observação Directa do impacto da actividade de Chi Kung junto da população alvo.
 Dado que o grupo apresentava globalmente dificuldades na compreensão e na expressão verbal e incapacidade em expressar verbalmente ideias e sentimentos, utilizámos como instrumentos de avaliação o cromodiagnóstico e uma ficha criada especificamente para o efeito com o objetivo de avaliar o desempenho dos alunos no início e no final do estágio.


 Durante as sessões, mantendo o grupo em círculo e usando a mesma linguagem e foco, variando apenas o “desafio”/ tema, imprimimos uma dinâmica no sentido de criar uma coerência de procedimentos, constante em todas as sessões, que assentava nas seguintes noções básicas: a noção de centro, a energia amorosa, a luz dourada, o sorriso interior, o enraizamento, a consciência do corpo e a noção do corpo unificado. 
 Executamos exercícios em várias posições em pé, sentados nas cadeiras e privilegiando os exercícios no chão para maior enraizamento e aporte sensorial, fizemos mais repetições em todas as sessões para dar a possibilidade de uma melhor aprendizagem dos movimentos e das posturas, utilizamos estratégias de manter o foco e a atividade com reforço da auto estima e das funções cognitivas e proprioceptivas, usando sempre objetos concretos e muito sensoriais, trazendo âncora à Mente, maior compreensão, Consciência, Concentração e Foco.




 É de referir que a música foi um elemento que apenas foi utilizado nas primeiras sessões, depois optamos por não usar música por verificarmos que a música interferia no foco do grupo pois alguns dos seus elementos eram muito sensíveis a este estímulo e deixavam de se focar no seu corpo e nos movimentos propostos. 
 Estabelecemos alguns critérios de seleção de forma a conduzir a atividade com um grupo com competências cognitivas mínimas que pudesse entender as instruções, que se mantivesse com assiduidade e permanecesse até ao final. 
 O grupo ficou assim constituído por quatro alunos dois do sexo masculino e dois do sexo feminino com idades entre os 18 e os 30 anos.




 A experiência foi muito desafiante em todos os momentos, foram várias as vezes em que nos questionámos sobre a continuidade da atividade. 
 Um dos maiores desafios deste projecto foi o de comunicar exercícios e de como passar a mensagem de consciência corporal e energética que o Chi Kung permite alcançar. Para melhor comunicar de forma efectiva o que seria suposto fazer em cada exercício desenvolvemos vários materiais, de forma a facilitar a compreensão das noções que queríamos transmitir. Podemos concluir que é um método a seguir pois resultou plenamente a utilização de materiais neste contexto. 
 Podemos afirmar, observando os resultados alcançados, que é possível desenvolver a atividade de Chi Kung terapêutico com esta população diferenciada. É importante relembrar que os jovens alunos é que escolheram praticar Chi Kung connosco e que a qualquer momento podiam escolher não frequentar mais sessões. 
 Reforçamos que este projeto é pioneiro quanto à população alvo e que das pesquisas de bibliografia, não foram encontrados artigos sobre o assunto, apenas conseguimos encontrar vídeos, um livro e artigos sobre Massagem QI Gong para crianças com autismo da Dra. Louisa Silva M.D. 
 Existe um livro editado por esta investigadora e criadora deste método de tratamento denominado “Qi Gong em casa – A forma Medicinal Oriental para ajudar o seu Filho”.


 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


Livro à venda com DVD incluído:
“Qigong Massage for Your Child with Autism: A Home Program from Chinese Medicine including DVD”
https://www.amazon.com/Qigong-Massage-Your-Child-Autism/dp/1848190700 

Filme francês : “O cérebro de Hugo” no youtube: 

Sebentas do Curso de Instrutores de Chi Kung Terapêutico 

Palavras chave: 
DID; Chikung; Consciência


*Artigo escrito por Fernanda Ramos, revisto por Paula Madeira, traduzido, publicado e paginado por Joana Freches Duque.


www.chikung-terapeutico.com

www.esmtc.pt

www.healing-project.com





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